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A imigração ucraniana para o Brasil, iniciada no fim do século XIX, decorreu de razões, sobretudo, políticas e bélicas na região. Parte da população seguiu, em larga escala, para os Estados Unidos, Canadá, Brasil e Argentina.
No Brasil, a maioria dos imigrantes se estabeleceu, no final do século XIX, na região de Prudentópolis (interior do Paraná), tendo que se adaptar ao clima, à vegetação e ao terreno desconhecidos. A força da união dessas comunidades foi a chave do sucesso.
No Brasil, o Paraná, com tradição de acolher imigrantes eslavos, foi o estado escolhido, sendo que o maior êxodo ocorreu após a Segunda Guerra Mundial. Nessa época, mais de 200 mil imigrantes, entre operários, prisioneiros de guerra, refugiados políticos, soldados da primeira divisão ucraniana e de outras formações militares que lutaram contra a Rússia, chegaram ao Paraná. A maioria dos operários havia sido capturada pela Alemanha para trabalhar durante a guerra.
Esses grupos, por sua tradição no plantio do trigo, exerceram, em sua maioria (cerca de 80% dos imigrantes), atividades ligadas à lavoura, instalando as primeiras indústrias moageiras no Estado. Através da fundação de 14 sociedades cooperativas passaram, também, a tomar parte no transporte dos produtos agrícolas e mercadorias, feito, até a metade do século passado, em grandes carroções cobertos, puxados por 8 a 12 cavalos que percorriam enormes distâncias entre União da Vitória, Palmas, Clevelândia, Mangueirinha, Barracão e outras localidades.
Já outra parcela dos ucranianos, com especializações em diferentes áreas, dedicou-se à indústria, especialmente a moveleira, à mecânica e às profissões liberais.
A comunidade ucraniana integrou-se rapidamente ao nível sócio-econômico existente no Estado, e às diversas estruturas da sociedade paranaense. Porém, algumas características específicas desse povo, representada especialmente, pelo idioma e religião (cristã ortodoxa), são preservadas até hoje. Em todo o Paraná sua cultura é percebida no colorido peculiar das igrejas com cúpulas bizantinas, nos ritmos e melodias, nos estilos e cores dos bordados artesanais, nos trajes de festa e nas demais manifestações de ordem folclórica.
Contribuindo em vários setores para o crescimento do Paraná, os ucranianos que ali chegaram, bem como seus descendentes, honram, até os dias de hoje, a cultura do Estado, seja nas artes, como o pintor Miguel Bakun e a poetisa Helena Kolody, seja nas ciências, como o engenheiro Serafin Voloschen, o arqueólogo Igor Chmvytz e o neurocirurgião Afonso Antoniuk.
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